segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

No sentido inverso ao dos ponteiros do relógio…


The curious case of Benjamin Button

Life can only be understood backward...
... it must be lived forward


Um relógio que anda ao contrário, marcando um Tempo em retrocesso; um bebé que nasce velho e que caminha da morte até ao berço; uma sucessão de pequenos acontecimentos triviais do quotidiano, questionados em muitos “ses”, e que conduzem a um final trágico de uma perna quebrada e uma carreira interrompida. Estes são alguns dos aspectos que saliento nesta narrativa construída em 1921 por F. Scott Fitzgerald, agora adaptada a cinema por David Fincher. Deve-se ao desenvolvimento da técnica a possibilidade de visualizar esta obra, quer através de planos que “encolhem” Brad Pitt até ao tamanho da criança Benjamin Button, quer através da fabulosa caracterização das personagens, ora envelhecendo-as, ora, e sobretudo, rejuvenescendo-as, qual cobiçado elixir da juventude!

Num registo que faz lembrar o realismo fantástico sul-americano, esta história constrói-se como que num delírio, à primeira vista apetecível, mas que cedo se revela um verdadeiro pesadelo, pois viver ao contrário dos outros, num tempo próprio e invertido, compromete o futuro, tornando-o desacompanhado daqueles de quem gosta, vendo morrer os mais velhos, aqueles que percorrendo a vida em frente, acompanha caminhando para trás, em direcção a uma juventude e infância que ditarão o seu fim.

Não é o primeiro nem será o último filme a centrar-se na questão do Tempo. Lembro-me, por exemplo, de A Segunda Juventude, de Francis Ford Coppola, em que um homem de 70 anos mantém uma vitalidade de um de 40, e que em vez de envelhecer, rejuvenesce.

O Tempo dá pano para mangas. O Tempo, esse ditador, elemento que nos norteia a existência, nos condiciona. Um verdadeiro quebra-cabeças...

8 comentários:

Vekiki disse...

Gostava mtº de ir ver este filme...eu e o Tempo...Bj

Flip disse...

uma ideia interessante sem dúvida, Paula. O tempo em sentido oposto para cada um de nós deve ser realmente algo difícil, penso que seria complicado de viver, é tema para dar largas à imaginação...está na agenda :-)
bjs

Paula Crespo disse...

Vekiki,
Recomenda-se, é muito interessante.
Bjs

Paula Crespo disse...

Flip,
Deve ser como andar sempre ao contrário numa escada rolante... ;) Acaba-se por tropeçar...;)
Bjs

once disse...

O Tempo é um ser responsável.
Sem sombra de dúvida.
Assim lhe deiamos o tempo necessário para seguir o seu percurso, fazer a sua estrada, corrigir aquela lomba ou saldar o buraco que alguém se encarregou de escavar seguindo em frente sem se preocupar com quem vem atrás. .. :) começar da estaca 2000 até à zero? aterrorizador acho ..

:) bjs

Paula Crespo disse...

Once,
Aterrorizador sim, até porque contranatura e solitário...
Bjs

Oliver Pickwick disse...

Este eu já assisti. Contudo, se ainda não o tivesse visto, assistiria. Deve lembrar que sou freguês fiel das suas sugestões nos seus artigos sobre cinema, música, livros e outros espetáculos.
Um beijo!

P.S.: Tirei uns doze dias de férias, o resto foi muito trabalho mesmo.
Mas se tivesse uma X-Wing, seguiria as suas especulações, exploraria Marte, a Lua, Saturno, o planeta Ming...

Paula Crespo disse...

Oliver,
Agradecida pela fidelização...:):):)
Uma X-Wing? Aí é que ninguém lhe punha a vista em cima!... :)
Bjs