terça-feira, 20 de novembro de 2007

Poemas da minha vida - II

Poema Enjoadinho - Vinícius de Moraes



Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

4 comentários:

Mocho-Real disse...

O humor e a ternura, tão próprios do Vinicius de Moraes!
É um admirável poema, sempre actual.

Um abraço.
Jorge G. Mocho-Real

www.osinodaaldeia.blogspot.com
www.bigodesdogato.blogspot.com
www.lugaraosom.blogspot.com

Paula Crespo disse...

Mocho-Real,
Obrigada pela visita.
O Vinícius é um dos meus poetas de eleição...
Recordo sempre este poema nas palavras ditas por Paulo Autran, outra grande figura brasileira, infelizmente também já desaparecida.

Gi disse...

Belo o poema, grande o poeta.

E filhos são coisa linda mesmo. Tão bom, tão bom ... só mesmo os netos.
Eu á enho esse gostinho duplicado :)

Um beijo

Paula Crespo disse...

Sem dúvida. Sorte a tua!...
Bj