Apesar de tanto se glosar a Mulher e de tanto cantar o 8 de Março, de tanto se postar, publicar, de tantas rosas se oferecer, a realidade está sempre lá, bem presente, a puxar para baixo quem reflecte sobre estes assuntos e quem teima em ver em vez de somente olhar...Vem este arrazoado a propósito da recente "notícia" (?) da presença da mulher de António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, na manifestação de professores do último dia 8. Logo a comunicação social foi eco (ou propulsora?) das más-línguas, que ampliaram a presença de Fernanda Tadeu nesta manifestação, qual zoom de paparazzi. De repente, esta mulher passou a ser conhecida e a sua atitude cívica ganhou contornos políticos, não por mérito próprio mas, somente, pelo facto do seu marido ser uma figura pública, membro do partido do Governo.
A incapacidade em separar as águas é notória. Subscrevo inteiramente as palavras do jornalista Nuno Ramos de Almeida, na coluna Praça Vermelha do Meia Hora, ao lembrar que a figura do chefe de família já não existe e que a liberdade de expressão e os direitos não têm género. Ao associá-la ao marido nesta questão, para além de tentar tirar dividendos políticos deste acto, constitui uma afronta à sua individualidade.
Os pequenos nadas são notícia, ou por falta de capacidade de tratar questões maiores ou, sobretudo, pela ganância das vendas e das audiências. Quem fica a perder são sempre os mesmos, nós todos.

Espectáculo Final da Escola de Dança do Conservatório Nacional
Teatro Camões
2 Jul: 21h, 3 Jul: 16h, 21h, 4 Jul: 16h
Curtas 2010 - II Mostra de Teatro de Peças de Curta Duração
Traseiras do Mercado da Ribeira, Lisboa
Até 4 de Julho
XI Grande Noite de Ballet Flamenco
Teatro Tivoli
10 de Julho, 21h30

