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quarta-feira, 24 de março de 2010

As construções de Joana

Imagem tirada daqui


O mundo de Joana assenta nas rendas, nos bordados, nos paninhos, nas linhas, nos berloques, nos cabelos, nos botões. Assenta nos talheres de plástico, nos tachos, nos espanadores, nas meias, nos comprimidos, nas santinhas, nos objectos diários, nas supostas inutilidades, na caixa vazia, nas formas de todas as formas.

O mundo de Joana transporta-nos numa viagem pelo feminino, como no caso de A Noiva, um imenso lustre feito de tampões higiénicos, onde facilmente caímos na tentação de o ler como uma metáfora à sexualidade e fecundidade femininas. Ou na mulher de Burka que se despenha até se estatelar no chão. Ou no sapato da Cinderela, numa provável alusão à mulher-gata-borralheira, cheia de tachos... Ou, ainda, como no caso de Flores do Meu Desejo, um conjunto de suaves e delicados espanadores cuja forma faz lembrar um útero.

Este mundo dialoga em permanência e cruza-se em jogos de linguagem que também vão beber à tradição e à história, como no conjunto Coração Independente, num resultado magnífico que faz lembrar a filigrana e os corações de Viana, ou como na carripana apinhada de Nossas Senhoras de Fátima.

Mas também é um mundo grande e colorido como em Contaminação, uma alusão à globalização e à sociedade de consumo, ao desperdício. Num mundo que vive assente na imagem, ela pega em objectos do quotidiano, redimensiona-os até atingirem proporções gigantescas e confere-lhes outros significados que não os originais. Recicla-os. Cria outras palavras para outras imagens.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Le Corbusier

Não existem escultores só, pintores só, arquitectos só. O acontecimento plástico realiza-se numa 'forma una' ao serviço da poesia.

Este é, para mim, o rosto de Le Corbusier, o grande arquitecto do século XX, como ficou conhecido. Mas é na área do design de interiores que, penso, ele chegou a um público mais alargado. A famosíssima Chaise Longue à réglage continu, criação de 1928 deste arquitecto suíço, ficaria para sempre como a sua imagem de marca.

A exposição que está patente no Museu Berardo em Lisboa (19 Maio a 17 Agosto) visa dar a conhecer Le Corbusier, o arquitecto que desenvolveu projectos que vão desde a pintura ao design de interiores, passando pelo cinema e pelos livros.

Três categorias relativamente autónomas - Contextos, Privacidade e Publicidade e Arte Construída - destacam os temas-chave da obra de Le Corbusier: o seu fascínio pela metrópole moderna, o seu entusiasmo pelo Mediterrâneo e pelo Oriente, a sua inclinação para as formas orgânicas na década de 1930, e o seu interesse pelas novas tecnologias e pelos media. (in: Programa da Exposição - Museu Berardo)

Algumas das obras mais conhecidas de Le Corbusier: