A convite de amigos, o serão de sexta-feira foi passado entre umas boas risadas, assistindo à peça do Intervalo Grupo de Teatro, que funciona no teatro municipal Lourdes Norberto, em Linda-a-Velha. Vivó Bode!, um espectáculo de poesia satírica, divertido e irreverente, leva à cena poemas de Alexandre O'Neil, António Gedeão, António Lobo Antunes, Augusto Gil, Bocage, João de Deus, Mário Henrique-Leiria, Millor Fernandes, Natália Correia, Ruy Belo, entre outros.
Fica aqui uma breve amostra, com duas pérolas de Mário Henrique-Leiria, um poeta de quem eu muito gosto:
RIFÃO QUOTIDIANO
Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver o que acontecia
Chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
É o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar o que acontece.
TELEFONEMA
Telefonaram-lhe para casa e perguntaram-lhe se estava em casa.
Foi então que deu pelo facto. Realmente tinha morrido havia já dezassete dias.
Por vezes as perguntas estúpidas são de extrema utilidade.
